Não precisa correr tanto; o que tiver de ser seu irá parar nas suas mãos.
Machado de Assis (via b-ecoming)

E não ter ninguém pra abraçar quando precisa, doí.


Chegou a hora de dizer adeus. Acabou. Simplesmente o relacionamento se estragou e confesso; dava sim pra consertamos as coisas. Mas eu não quero mais. Que eu saiba, amor, desses que vale a pena mesmo, não faz sofrer tanto, não é? Agradeço pelos momentos bons. De verdade. Mas você não deu valor pra tudo que eu fiz por você. Você magoou, mentiu, jurou e não cumpriu. Faz um tempinho que eu percebi que eu mereço mais do que você e, bom, to indo e não volto mais.
19-73

Eu esperei dezenove anos pra encontrar o cara certo, daqueles que as filhas desejam e os pais aprovam. Um que te busca em casa dirigindo um Bugatti Veyron 16.4, te leva pra jantar, paga seu cinema e te deixa em casa na hora que o sogro pede. Daqueles que sua mãe tem orgulho de contar para as amigas que tem um genro maravilhoso, com um futuro brilhante, que levará o nome da empresa da família nas alturas. Daquele que suas irmãs invejam e que quando passa na rua, arranca suspiros e olhares. Mas meu cara não é assim. Meus pais não o aprovam, dizem que ele não me fara feliz como o filho da Ciclana poderia me fazer. Me busca em casa de Opala SS amarelo desbotado, daqueles que por puco não estragam no meio da rua. Não me leva pra jantar, ele faz o nosso sanduíche toda noite. Não paga o cinema, pega as entradas e deixa o resto por minha conta e, tampouco, me deixa em casa antes das 23 horas. Minha mãe não gosta dele, muito menos minhas irmãs. Vivem dizendo que esperavam mais de mim. Mas eu não o vejo assim. Ele me leva a praia, me deita em cima de seus braços, e me faz olhar as estrelas. Ele me beija no carro, me faz cafuné na poltrona, me abraça no mercado. Me irrita segunda, me adora na terça, me implica na quarta, trabalha na quinta, volta com bombons na sexta, e me ama nos finais de semana. Me chama de docinho e depois de burra. Odeia minhas amigas mas não conseguiria me aturar sem elas, faz serenata mesmo não sabendo cantar, toca não sabendo tocar. É apaixonado por meus sorrisos e principalmente por minhas caretas. Não aguenta sermões mas não arruma o quarto. Bagunça a cozinha, come tudo o que tiver na geladeira, não abaixa a tampa do sanitário e molha todo o banheiro. Joga fora minha escova, suja minha toalha, esconde minhas roupas, e não me deixa assistir novela por que está vendo o clássico. E eu? Eu deito com ele todas as noites e sinto seu perfume naquelas roupas surradas. Então me esqueço dos outros, do que dizem, do que esperavam de mim, do que queriam que eu tivesse. Eu o amo, e amo seu jeito inofensivo de ser destrambelhado. Amo o modo que consegue me fazer feliz sendo menos príncipe e mais plebeu. Tati sem Bernadi


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Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim. Caio Fernando Abreu